ABRESI - Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo


Conheça a ABRESI

HOME

ABERTURA

A ABRESI

Objetivos

Diretoria

Ações Específicas

Realizações

ABRESI no Mercosul

Convênios

FALE COM A ABRESI

últimas notícias

 

PARCEIROS:

 

 

   

 

 

 

GASTRONOMIA E TURISMO EM NOTÍCIA

 

 

Entrevista - Nelson de Abreu Pinto

 

09/11/2007

 

 

 

Dr. Nelson de Abreu Pinto concedeu uma entrevista ao Brasilturis, importante veículo de comunicação do turismo nacional. Analisou o setor no país e comentou a luta pela desvinculação da CNTur à CNC (Confederação Nacional do Comércio). Confira abaixo a entrevista:

“A CNTur vai mudar o turismo no Brasil”
 

Nelson de Abreu Pinto, presidente do Sistema Nacional CNTur/Abresi


Ainda sub-judice no Supremo Tribunal Federal, a autonomia sindical no turismo está próxima de ter uma definição. Uma questão que, nos bastidores, transita por aspectos políticos e ideológicos dentro do Congresso Nacional
 

Polêmico e poderoso, o nome de Nelson de Abreu Pinto está presente no retrospecto de muitos anos de lutas, ideais, e também de adversários, dentro de importantes atividades turísticas. Agora, muito próximo de um parecer jurídico que pode mudar a história do turismo brasileiro, revela, pela primeira vez, como pretende tornar o segmento aberto a 100 milhões de brasileiros e tirar um atraso de 50 anos.

Os números e valores que correm por trás da disputa com a CNC – quase R$ 2 bilhões anuais de contribuições do Sesc/Senac, dez milhões de empregos com carteira e dois milhões de empresas – são apenas um dos temas deste depoimento do cidadão, advogado, administrador de empresas, empresário e desembargador aposentado do TRT, presidente e líder de dez entidades.

BRASILTURIS JORNAL - As possibilidades indicam que está bem próximo o reconhecimento da Confederação Nacional do Turismo como entidade representativa do setor. A Confederação Nacional do Comércio é contra a criação da entidade patronal e o conseqüente desmembramento.

“É muito importante e esclarecedor saber daquilo que está presente no Ministério do Trabalho e nos Tribunais Superiores. Possuímos o bom direito, os precedentes que consolidam na legislação brasileira concernente à organização sindical, com todos os pré-requisitos que foram cumpridos, comprovados e legitimados de como se constitui no País uma nova Confederação. Estamos desmembrando o turismo da CNC, entidade eclética que afirma representar 82 atividades. É evidente que alguns desses segmentos sejam esquecidos. Infelizmente, o turismo foi o maior deles, esquecido pela CNC ao longo de 50 anos. Apenas depois que surgiu no cenário sindical a criação da CNTur é que os meus amigos da CNC se lembraram, tentando preservar a arrecadação. Foi muito pouco e este é um assunto muito grave, tanto que até os integrantes da Frente de Apoio Parlamentar da CNTur já estão pensando em se criar uma CPI para investigar o que está por trás disso tudo, na tentativa de obstar a criação da CNTur para que o turismo ande com as próprias pernas, com os “eSses” do setor no projeto de lei em tramitação propondo o Sestur – Serviço Social do Turismo – e o Senatur, Serviço Nacional da Aprendizagem do Turismo.

O que nós queremos é resgatar um atraso de 50 anos. Que o Brasil tenha com o Sistema CNTur/Abresi, no turismo social e econômico representado por 120 entidades sindicais e civis que nos dão apoio integral e com ações legítimas. Isto virá, nos próximos meses, através das decisões que estão em análise nos tribunais superiores do País.

BJ - Aliás é, e continua, um longo processo, uma disputa identificada.

Sim, foi e prossegue, porque em 1998 tivemos a criação da nossa assembléia. Na época, éramos quatro federações no setor turístico do País, e das quais três se reuniram e criaram a CNTur. A quarta foi convidada, está sendo até hoje, um dia ela virá. Então, tivemos até o ano de 2000 no Ministério do Trabalho, sendo examinado o processo para análise e publicação no Diário Oficial da União. Quando isto foi obtido, veio a impugnação da CNC, com a alegação de já ser uma representação classista do setor. De 2000 até 2003 houve o trabalho administrativo e executivo para se buscar uma solução pela via amigável, e isto também não aconteceu. Aí, em 2003, uma decisão histórica do Supremo Tribunal Federal, no acórdão do ministro Ilmar Galvão que considerou o princípio da legitimidade para o desmembramento de uma atividade específica, naquele momento a Confederação Nacional da Saúde. Até então, os hospitais, casas de saúde, etc., eram administrados por Antonio Oliveira Santos, presidente do CNC, o senhor do Comércio.

Isto também significou o nosso ingresso no processo de aceleração jurídica, e embora com grande atraso, está surgindo agora a CNTur, e nós vamos cobrar este prejuízo. Onde está a aplicação efetiva da arrecadação do Turismo neste meio século, e não essa farsa de agora em tentar se intitular Confederação do Comércio, Bens, Serviços e do Turismo ? Nós já temos uma representação e estamos preparando ação judicial para interpor no momento necessário. Em seu estatuto, a CNC tem expresso, claramente, que ela só representa o comércio brasileiro, e foi o que ela fez muito bem até hoje. No comércio, atividades de atacado e varejo. Para o turismo, não. A CNTur está presente sim, para o turismo, em todos os Estados do Brasil. A CNTur não está só em São Paulo não, como dizem nossos detratores. Temos ações no Brasil todo, com os sindicatos e federações.

O mundo inteiro tem a consagração do turismo como a principal atividade geradora de emprego e renda, e infelizmente, o Brasil sofreu esse prejuízo acumulado. Precisamos e vamos construir um futuro bem diferente, a partir do registro sindical da CNTur, nos próximos meses, assim espero.

BJ - Bem, fica evidente que há um problema de relacionamento na área e que inclui o trade em geral ?

Assim, como “turismo é turismo, comércio é comércio”, o primeiro trabalho é desmistificar e isto deve estar presente na cabeça pensante do CNC, onde eu já fui – como o amigo Michelão, durante 12 anos – capaz de conduzir as Câmaras do Turismo. Hoje, a gente vê pessoas que não são representativas, nem como empresários, nem líderes, e que querem se rotular e falar em nome de restaurantes e de hotéis. Estão simplesmente se aproveitando daquelas famosas 30 moedas. Uma Abih é muito maior que um eventual presidente que, de repente, passa a ser assessor. Uma Abrasel, o mesmo caso. Serão as primeiras entidades que vou convidar para estar conosco à mesa, na CNTur, como também a nossa grande parceira Abav. Estaremos abertos ao diálogo, sempre, para resgatar este atraso de 50 anos. Lamento que alguns, do presente e do passado, não tenham compreendido a nossa luta e ideal. Queremos que a CNC continue administrando o comércio e que o setor empresarial e as políticas públicas sejam coordenadas pelas entidades presentes no Sistema CNTur/Abresi.

BJ - Os números falam alto. A par disso tudo, dos valores e quantidades expressos, considera que temos menos de 20% da potencialidade geradora do turismo brasileiro sendo aplicado.

É verdade. O mercado interno não pode ter apenas 20, 30 milhões de viagens/ano. É preciso uma implosão social, queremos viabilizar é a redução do preço do turismo ao tamanho do poder aquisitivo da sociedade brasileira, infelizmente muito pequeno. O preço do turismo está muito alto. A nossa proposta é fazer com que o consumidor tenha a redução de até 50%. Não se trata de “milagre”. Será feito com políticas públicas que a Comissão do Trabalho da Câmara Federal coordena e apoia com as cinco centrais sindicais. O que queremos oferecer é que o Brasil possa ter 100 milhões de viagens nos próximos quatro anos, ainda no governo Lula.

A forma é simples, com a redução da gestão. Da hotelaria, da gastronomia, do setor empresarial. Com a tributação reduzida para cerca de 1%, pois hoje a média é de 3%; o Clube do Turismo Econômico do Trabalhador, programas de hospedagem e alimentação econômica, reduções nos custos de água e energia, financiamentos – como no caso dos empresários, onde apenas 0,5% são proprietários dos imóveis – diminuindo o valor das locações. Estamos conversando com nossos parceiros, não queremos guerra com ninguém, mas é evidente que as mudanças no custo operacional têm de acontecer.

Vamos discutir com o governo, com os cartões de crédito, com o sistema PAT, de forma ordenada e vamos regulamentar isso pelo sistema da CNTur/Abresi com os seus sindicatos que têm esta representatividade autêntica.

Posso assegurar, portanto, que vai muito bem o projeto Turismo Social para Todos que o sistema CNTur/Abresi colocou nas mãos da ministra Marta Suplicy e que está sendo examinado juntamente com o apoio de mais de 150 parlamentares. O Pará é o primeiro Estado-pólo

BJ - O cidadão Nelson, em sua longa experiência, como homem de leis e presidente de várias entidades, viaja muito. Passa de três a quatro dias por semana circulando pelo Brasil. Como vê o turismo no Brasil no dia-a-dia, hoje, especificamente nesse contexto ?

O turismo não vai bem... em termos de faturamento, em presença interna de mercado, em número de visitantes internacionais. E não vai bem, por uma série de fatores, mas a gente não deve simplesmente culpar a área governamental. Tem alguém responsável pelo fato do turismo não estar bem e eu quero responsabilizar a CNC. Por 50 anos de atraso que invalidou e impediu que o meio empresarial se organizasse de uma forma que pudesse agilizar o setor. Temos que culpar de uma forma severa a CNC que teima em manter a administração do sistema empresarial do turismo junto ao comércio.

BJ - A partir de maio deste ano, a CNTur mudou a sua exposição. Nos últimos meses, procura mostrar o que vem realizando e o que pretende realizar. Este processo torna-se acelerado a partir de agora ?

Tenho um carro, uma Van Mitsubishi, que adquiri em 98, cuidado com carinho, pessoalmente. Em maio, coloquei em uma transportadora e o levei para Brasília. Está lá nossa sede, Lago Sul-QL 6, cj. 9 Casa 1. E porquê eu levei esse carro de estimação para a capital ? Meus amigos puseram-se a pensar: “ôpa, alguma coisa está acontecendo...coisa boa vem aí”. Sou um estudioso permanente das questões sociais, de natureza econômica e política e entendemos que os precedentes estão presentes nos tribunais, que a jurisprudência consagra o direito de desmembrar a atividade específica da eclética. Não é vaidade pessoal, pelo contrário. Somos responsáveis por mais de 50% daquilo que a CNC arrecada. Agora chega. Esta situação virá nos próximos meses com o andamento processual. E será feita a justiça aos empresários do turismo.

Se representamos mais de 50% da arrecadação, se temos mais de dois milhões de empresas, mais de dez milhões de empregos diretos, se podemos ser este grande segmento das classes produtoras capaz de viabilizar o turismo social e econômico para todos, se já estamos trabalhando para que em 2014 a hotelaria e a gastronomia possam oferecer uma prova do Brasil como país moderno e organizado para um evento como a melhor Copa do Mundo, somos capazes de garantir a capacidade de mudança desta posição existente até hoje.

 


Fonte: http://www.bj.inf.br/conteudo_jornal_visualiza.php?jcontcod=114
 

 

 

Voltar


 

       

ABRESI - Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo

Sede: Largo do Arouche, 290 - 9º andar - V. Buarque
01219-010 - São Paulo - SP - Brasil
Fones: (11) 3327-2082 - Fax: (11) 3224-0228
abresi@abresi.com.br