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Posicionamento da ABRESI sobre a Lei Antifumo


Prezado Jornalista,
A ABRESI – Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo manifesta, além da parte judicial, outros pontos que julga fundamentais com relação à Lei Antifumo paulista. Um deles trata da discussão jurídica, que se dá justamente pela falta de debate e diálogo com o Executivo, considerando que tínhamos e temos soluções adequadas a serem propostas que não foram consideradas, as quais iriam acomodar fumantes e não fumantes através de áreas fisicamente separadas e dotadas de sistemas de exaustão. Vamos até o fim na questão jurídica e continuaremos a informar outras entidades de outros estados sobre estas arbitrariedades.

A proposta que temos é deixar a critério do proprietário ou responsável por recintos coletivos fechados, com área superior a 100 m², a segregação de áreas para fumantes equivalentes a, no máximo, 30% da área total, desde que isoladas por barreira física e equipadas com soluções técnicas que permitam a exaustão do ar da área de fumantes para o ambiente externo, pois:

(a) mantém a conciliação harmônica entre a liberdade de fumar e o direito à saúde em locais coletivos, em sintonia com os princípios previstos na Constituição Federal Brasileira;

(b) acomoda e garante os princípios da livre iniciativa e empreendedorismo, evitando prejuízos comprovados por estudos aos setores de lazer e turismo, bares, restaurantes, casas noturnas, entretenimento e similares.

c) até hoje não vimos nenhuma sugestão plausível e democrática de ninguém que possa atender a demanda de todas as partes envolvidas; o que vimos até agora são ações discriminatórias, que valorizam a intolerância e o denuncismo, pois joga o cidadão fumante contra o cidadão não-fumante e, ainda mais, penalizam os proprietários de bares e restaurantes ao transferir indevidamente a estes o poder de polícia estatal contra o seu principal patrimônio, que são os clientes;

d) somos a favor de aprimoramento da Lei Federal. O que não pode ser feito, entretanto, é ferir o que hoje determina a Lei Federal que versa sobre a matéria;

e) estamos frente a um debate entre o que a ciência diz e a ideologia de certos grupos e indivíduos poderosos afirmam, já que até hoje não tivemos comprovação de entidades isentas que mostrem cabalmente o real risco da fumaça ambiental para a população.(a extensão dos danos provocados pelo fumo passivo ainda não é cientificamente comprovada, segundo matéria da Revista Época, publicada no dia 20 de abril, nas pgs. 66 e 67). O que temos na realidade são dados de pesquisas incongruentes fomentados de forma parcial e dados de outros países que não retratam a realidade econômica, climática e cultural do Brasil. Nossos resultados de pesquisa apontam:

1) No segundo semestre de 2008, o Instituto Vox Populi realizou um estudo com o objetivo de levantar a opinião da população do Estado de São Paulo sobre a existência de áreas exclusivas para fumantes em bares, restaurantes, casas noturnas e hotéis. As principais conclusões do estudo estão a seguir:

- 84,8% dos não fumantes entrevistados concordam com a iniciativa de criar áreas específicas para fumantes de forma a resguardar os seus direitos. 87% dos fumantes também concordam com essa iniciativa;

- 76,9% dos não fumantes afirmam que os direitos dos fumantes devam ser respeitados;
- 80% dos não fumantes acham que o fato de eventualmente se proibir o fumo em lugares públicos não vai levar ninguém a parar de fumar.

2) As pesquisas apresentadas por terceiros hoje são tendenciosas, já que possuem metodologia distorcida, além de fomentarem a discriminação e a intolerância: perguntar se você é contra ou a favor da lei antifumo não é correto! O correto é questionar ou perguntar se existe alternativa democrática que possa acomodar interesses divergentes;

f) É lógico que o setor de hospitalidade será economicamente impactado:

- A Fundação Getúlio Vargas (FGV) realizou um estudo na cidade de São Paulo intitulado “O valor do cigarro e do consumidor fumante para bares e restaurantes de São Paulo – Relatório Final. FGV

– GV Consult. 14 p. 2004”, com o principal objetivo de obter uma avaliação da composição das despesas familiares e da participação relativa dos gastos com o fumo nessas despesas
.
Os dados utilizados neste estudo tiveram como fonte a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE relativa a 2002 e 2003.

- Como resultado, houve a conclusão de que as famílias de fumantes gastam mais em atividades de lazer em bares, padarias e restaurantes. Isto significa que ao se somar as diferenças de gastos com refeição fora do lar, as famílias de fumantes gastam R$ 17,13 a mais em relação às famílias de não fumantes. Ou seja, aos gastos de R$ 50,30 dos fumantes de cigarros estão associados outros R$ 17,13.

- Em relação às despesas com alimentação fora do lar, além das despesas com o maço de cigarros, os fumantes gastam mais R$ 18,99 em comparação com não fumantes. Essa diferença representa cerca de 38,3% do que é despendido pelos fumantes em nossos estabelecimentos. Ou seja, além do gasto direto com cigarros, os fumantes têm um dispêndio financeiro 38,3% maior do que os não fumantes nos bares, padarias e restaurantes.

- Somando o valor das despesas com cigarros (que são realizadas apenas por fumantes) à diferença das demais despesas, chega-se a uma diferença de despesa mensal total realizadas em bares, padarias e restaurantes de R$ 69,60 por fumante. Em outras palavras, um fumante paulista deixa, ao longo de um mês, R$ 69,60 a mais que um não fumante nos bares, padarias e restaurantes.

f1) As conclusões principais do estudo estão a seguir:

- Em bares, padarias e restaurantes, a diferença de despesas entre fumantes e não fumantes é de R$ 17,37;

- O fumante, para cada real gasto, despende cerca de R$ 0,38 a mais do que o não fumante em bares, restaurantes e padarias; sendo que nas classes mais altas de renda esse valor chega a R$ 0,81 para cada real;

- O fumante deixa, ao longo de um mês, cerca de R$ 70,00 a mais que um não fumante nos bares, padarias e restaurantes do estado de São Paulo.

- O interessante é que mesmo no Reino Unido, onde foi implementada lei semelhante a de São Paulo o governo britânico está reestudando o tema baseado no impacto econômico gerado nos PUBs londrinos.

- Parte dos fumantes deixará de frequentar os bares e restaurantes, e mesmo frequentando, irá diversas vezes se ausentar do convívio com seus amigos e familiares para fumar na parte externa, diminuindo sua possibilidade de consumo e gerar a gorjeta aos garçons.

g) As perguntas que não querem calar:
SERÁ QUE, PARA PRESERVAR OS DIREITOS DOS NÃO FUMANTES DEVEMOS EXTINGUIR COMPLETAMENTE OS DIREITOS DOS FUMANTES?

DIZ O DITADO QUE “O DIREITO DE UM ACABA ONDE O DO OUTRO COMEÇA”, MAS SERÁ QUE O DIREITO DE UNS DEVERIA BANIR COMPLETAMENTE O DIREITO DOS OUTROS?

SERÁ QUE, PARA IMPLEMENTAR UMA LEI, AS DEFICIÊNCIAS DE FISCALIZAÇÃO OU ATOS ARBITRÁRIOS COM TOM DITATORIAL DEVEM FORÇAR O PEQUENO EMPREENDEDOR, QUE TRABALHA ARDUAMENTE PARA MINIMANENTE GARANTIR SUA SOBREVIVÊNCIA, A DEDURAR, FISCALIZAR E EXPULSAR O CLIENTE DE SEU PATRIMÔNIO E, NÃO O FAZENDO, SER PENALIZADO FINANCEIRAMENTE POR ISSO?

Finalizando:

É preciso lembrar que, diferente de escritórios comerciais, farmácias, bibliotecas, hospitais, escolas etc, em que as pessoas são, em certas circunstâncias, obrigadas a freqüentar, bares, restaurantes e casas noturnas são alternativas para momentos de descompressão, relacionamento social e lazer, ou seja, lúdicos em sua essência e frequenta quem quer e quando quer.

No Estado de São Paulo existem cerca de 300.000 hotéis, bares e restaurantes, ou seja, há opções para todos os gostos, todos os bolsos e todas as opções entre fumar ou não fumar. Há bares para o público GLS, heterosexual, para a terceira idade, para a meia idade e para jovens. Há locais com música ao vivo e sem música ao vivo. Com consumação e sem consumação. Em relação aos restaurantes nem se fala, pois existem 56 países com suas gastronomias representadas. Desta forma, sabemos respeitar todas as diferenças, toda diversidade econômica, cultural, religiosa e sexual. Acreditamos firmemente que a segregação de ambientes para fumantes e não fumantes dotados de sistemas de exaustão da fumaça ou, simplesmente, a proibição do fumo deveriam ficar a critério do proprietário, de acordo com seu público alvo. Afinal, quando um cliente não gosta do atendimento, do preço, da decoração, da localização e até do excesso de fumaça, o que ele pode fazer? Simplesmente deixar de frequentar o local e ponto final.
O Estado babá precisa parar de intervir de forma draconiana na economia. Deve, ao contrário, informar e orientar as pessoas sobre os eventuais riscos de determinadas condutas, seguindo o principio da "intervenção mínima" ao permitir que o próprio mercado se adapte à evolução dos tempos e, especialmente, às exigências de seus clientes.

Cerca de 30% da população do Estado de São Paulo é fumante e grande parte deixará de frequentar, reduzirá a frequencia ou diminuirá gastos em nossos estabelecimentos, já economicamente abalados pelos efeitos da lei seca, da crise internacional, das dificuldades de obtenção de alvará de funcionamento, pelas fiscalizações abusivas, do agravamento da gripe suína (em que as pessoas estão evitando locais de aglomeração) etc . Assim, não resta dúvida de que demissões ocorrerão. A Federação dos Trabalhadores no Comércio Hoteleiro e Similares do Estado de São Paulo, maior entidade da classe laboral do setor, compartilha dessa opinião.

É pena que essa visão democrática e de estadistas, esteja faltando aos dirigentes do nosso Estado. É pena que o Estado pretenda ser o fiscal dos corpos e das almas das pessoas e que, por interesses ainda não totalmente explicados, feche as portas ao diálogo franco e da compreensão das questões que ultrapassam o simples ato de fumar, alijando uma parcela da população de poder comer, beber e fumar sem incomodar ninguém, além da dar as costas a um dos setores que mais gera emprego e renda neste Estado e no País.

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