Cinco meses após lançamento
campanha nacional contra a venda de
cigarros para menores, as sete maiores
entidades dos setores de hospitalidade,
gastronomia, panificação,
turismo e combustíveis comemoram
os bons números da iniciativa
em todo o país. Pesquisa realizada
pelo Instituto Synovate com 2.400 varejistas
das regiões Sul, Norte, Nordeste
e em São Paulo mostra que o conhecimento
do setor sobre a legislação
a respeito do tema cresceu 14 pontos
percentuais após a realização
da campanha - de 79% para 93%. No Brasil,
há duas leis que tratam sobre
venda de cigarros a menores: a 8.069,
de 1990, classifica como crime a venda
de cigarros para menores de 18 anos,
com penas que podem levar à detenção
de 2 a 4 anos. Já a Lei 10.702,
de 2003, prevê advertência,
multas de R$ 75 mil a R$ 1,5 milhão
e interdição parcial ou
total do estabelecimento e cancelamento
do alvará.
A
pesquisa do Instituto Synovate também
mostrou que os varejistas estão
mais criteriosos no momento da venda:
em caso de dúvida sobre a idade
do cliente que chega ao ponto de venda
para comprar cigarro, 67% deles agora
dizem exigir documentos de identidade,
contra 61%, número anterior à
realização da campanha.
A
campanha nacional de conscientização
contra a venda de cigarros a menores
de 18 anos foi lançada em dezembro
por representantes da Associação
Brasileira da Indústria de Hotéis
(ABIH), a Indústria de Panificação
e Confeitarias (Abip), de Bares e Restaurantes
(Abrasel), de Gastronomia, Hospedagem
e Turismo (Abresi), a Confederação
Nacional de Turismo (CNTur), a Federação
Nacional de Hotéis Restaurantes,
Bares e Similares (FNHRBS) e o Sindicato
Nacional das Empresas Distribuidoras
de Combustíveis e de Lubrificantes
(Sindicom). Empresa líder no
mercado brasileiro de cigarros, com
62% de market share, a Souza Cruz apoia
oficialmente a iniciativa. Ao longo
de três meses, a campanha atingiu
250 mil pontos de venda do país.
O
objetivo da campanha é sensibilizar
dois públicos principais: o varejista,
para que não venda cigarro para
menores e assuma cada vez mais uma postura
responsável na gestão
do seu negócio; e o consumidor,
para que nunca delegue a uma criança
ou adolescente a tarefa de comprar seu
cigarro. Entre novembro e fevereiro,
a campanha levou aos 250 mil pontos
do varejo adesivos, móbiles,
displays de mesa, testeiras de caixa,
bottons e flyers com mensagens de conscientização.
Os
varejistas, que são o ponto de
contato com o consumidor, também
receberam treinamento, cujo conteúdo
reforçava a importância
de não se vender cigarros a menores
de 18 anos e como proceder na tentativa
de compra por uma criança e adolescente.
Dicas simples foram passadas, como a
de solicitar o documento de identidade
em caso de dúvida sobre a idade
do comprador.
"O
turismo é hoje uma das indústrias
que mais crescem no mundo. Por isso,
é um canal perfeito para disseminar
ideias e formar opiniões. Foi
uma grande honra para a ABIH Nacional
apoiar essa campanha. Temos certeza
de que só através de ações
como essa podemos contribuir para formação
de um mundo melhor", diz Alvaro
Bezerra de Mello, presidente da ABIH
Nacional.
Para
os representantes das outras entidades,
o princípio da campanha se resume
em um conceito: sustentabilidade. "Muito
mais do que o uso consciente dos recursos
disponíveis no planeta, a atitude
sustentável é uma demanda
de mercado", afirma Paulo Solmucci,
presidente da Abrasel. "Os consumidores
estão cada vez mais conscientes
e exigem das empresas que estas desempenhem
um papel que vai muito além das
suas obrigações legais",
completa o presidente do FNHRBS, Norton
Luiz Lenhart. "E para garantir
um negócio próspero, além
do lucro, é preciso perseguir
práticas de responsabilidade
social", conclui o presidente da
ABIP, Alexandre Pereira Silva.
“Os
operadores de lojas de conveniência
puderam colocar em prática um
verdadeiro exemplo de cidadania, atuando
dentro da legalidade e dos preceitos
éticos do mercado”, explica Alisio
Vaz, vice-presidente do Sindicom. "É
a indústria e o varejo de mãos
dadas em respeito à ética
e a práticas sustentáveis",
resume Nelson de Abreu Pinto, presidente
da CNTur e da Abresi.